quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

You're gonna make me lonesome when you go


Comecei ouvindo Madeleine Peyroux, já fazia muito tempo que não ouvia. Lembranças. Sempre lembranças. E no meio das névoas, abriu-se Bob Dylan que há tempos não ouvia também e, aí, como diria Guimarães Rosa, 'lágrimas caíam pela face como formiguinhas brancas'.
Essa canção é deslumbrante, de letra mais deslumbrante ainda...e, novamente, Bob Dylan consegue dizer tudo o que não consigo.

You're gonna make me lonesome when you go (Bob Dylan)

I've seen love go by my door (Eu vi o amor passar pela minha porta)
it's never been this close before (Nunca esteve tão perto assim antes)
Never been so easy or so lown ( Nunca foi tão fácil ou tão lento)
Been shooting in the dark too long (Andei atirando no escuro por tempo demais)
When something's not right it's not wrong (Quando algo não está certo está errado)
You're gonna make me lonesome when you go (Você vai me deixar solitário quando você se for)

[...]

Flowers on the hillside, bloomin' crazy (Flores na colina brotando como louco)
Crickets talkin' back and forth in rhyme (Grilos conversando de um lado a outro em rimas)
Blue river runnin' slow and lazy (Rio azul correndo lenta e preguiçosamente)
I could stay with you forever (Eu poderia ficar com você para sempre)
And never realize the time (E nunca perceber o tempo)


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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Bocaoca

A borboleta-laranja enamorou-se do
o vento.
Ele a castigava.
Empurrava-a contra as crateras-labirintos
feitas, pacientemente, pelas formigas.
Ela resistia.
Inerme como uma boca
pintada com as cores do último verão.

Ano novo, problemas velhos

Estou sobrevivendo. A vida, às vezes, parece um grande buraco negro em espirais cada vez mais profundas e, por isso, você pensa: não adianta resistir!
Penso: Talvez o ano esteja só começando e todo começo é difícil.

"Todo eu me cansei. Todo o meu cansaço colidiu com o meu cansaço, e todo eu sou isso."
[José Luis Peixoto]